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Dia do Consumo Consciente: quanto vale 1 kg de resíduo reciclado no Cariri?

Celebrada em 15 de outubro, a data convida a repensar o consumo e o descarte

O Dia do Consumo Consciente, celebrado neste 15 de outubro, é um convite para que a sociedade repense como compra, usa e, principalmente, descarta o que consome. Instituída em 2009 pelo Ministério do Meio Ambiente para alertar sobre os impactos do consumo excessivo, a data ganha um rosto no Cariri: o dos catadores de materiais recicláveis, profissionais que garantem que garrafas, latinhas, papelão e outros materiais voltem à cadeia produtiva.

O tamanho desse problema fica evidente ao analisar dados nacionais. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil de 2025, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), cada brasileiro gera em média 384 kg de resíduos por ano. O Nordeste é o segundo maior gerador do país, com 24,7% deste volume, cerca de 20,2 milhões de toneladas anuais. Mas como é, na prática, a rotina de quem faz esses materiais voltarem para o ciclo produtivo? 

Na ponta inicial da cadeia, o esforço é físico. Em eventos como a Expovaq, em Farias Brito, a catadora Rosimeire Galdino chega a caminhar meia hora em meio à multidão para reunir 1 kg de latinhas de alumínio, material mais valorizado, vendido a cerca de R$8. Outros itens rendem menos: o quilo do plástico filme sai a R$1,50, da garrafa PET, a R$1 e do papelão, a R$0,30. “Separar do jeito certo facilita pra gente pegar, né? Não jogar fora em qualquer lugar”, pede.

No Crato, a Associação dos Agentes Recicladores do Crato (AARC) organiza o trabalho de forma coletiva com 14 integrantes. No entanto, é na comercialização que o valor da infraestrutura fica evidente. O papelão, comprado solto a R$0,30 o quilo, sobe para R$0,50 quando compactado. A garrafa PET salta de R$1,80 para R$3,80. Mas, segundo a diretora da AARC, Ivone Araújo, a associação está sem a máquina que faz essa compactação, o que impede de agregar valor ao material recolhido e reduz a renda das famílias.

Apoio e estruturação da cadeia

É para ajudar a superar essa falta de infraestrutura e valorizar a cadeia da reciclagem que a Regenera Cariri atuará na região. Além das ações contínuas de apoio e educação ambiental já realizadas com os catadores locais e comunidade em geral, o projeto da concessionária prevê a implementação de Centrais Municipais de Reciclagem (CMRs) em parceria com as prefeituras. Esse espaço terá infraestrutura adequada para facilitar o trabalho das cooperativas e aumentar a renda dos catadores.

“O trabalho dos catadores e das associações é o verdadeiro motor da economia circular. Eles prestam um serviço ambiental indispensável e precisam desse apoio”, afirma Ingrid Botelho, gerente da Regenera Cariri.

Para a concessionária, fortalecer esse ciclo começa na lixeira de cada morador, pois o consumo consciente passa por entender que todo produto gera um resíduo. Pequenas mudanças dentro de casa impactam diretamente a rotina de quem vive da reciclagem, a começar pelo planejamento das compras para evitar o desperdício, sobretudo de alimentos, e pela atenção em priorizar produtos com refil ou embalagens retornáveis e recicláveis. Além disso, a separação correta entre os resíduos secos (papel, plástico, vidro e metal) e os úmidos e orgânicos (restos de comida) é fundamental. Essa prática evita a contaminação dos recicláveis, facilita a coleta e aumenta o valor comercial do que chega às mãos dos catadores.

Sobre a Regenera Cariri

A Regenera Cariri será responsável pelo tratamento e pela destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos urbanos em nove cidades da região. As prefeituras de cada município permanecerão responsáveis pela coleta dos resíduos. A gestão adequada dos resíduos contribui para a preservação ambiental, especialmente das fontes de águas subterrâneas, além de ampliar o potencial de geração de renda para os catadores, que poderão contar com melhores condições de saúde e segurança no desenvolvimento da atividade.